Santa Maria deve ganhar um reforço nos atendimentos às especialidades de traumatologia e ortopedia a partir da próxima quarta-feira. Com o Hospital Regional de Santa Maria também ofertando assistência de média complexidade nestas áreas, as demais instituições, Hospital Casa de Saúde e Hospital Universitário de Santa Maria, que já atuam no atendimento de baixa e alta complexidade, podem perceber mudanças nas demandas atuais.
Em entrevista à CDN, o superintendente do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), Humberto Palma, comentou sobre o anúncio feito na quinta-feira, pela secretária estadual de Saúde (SES), Arita Bergmann:
–O Hospital Universitário fica bastante contente com a abertura de uma nova especialidade de saúde, que demanda tanto na região.
AVALIAÇÃO
Na ocasião, Palma apresentou dados referente a lista de espera e aos atendimentos das duas especialidades realizados no HUSM, de forma separada, em 2021. A instituição é habilitada para atender casos de alta complexidade na região. A lista de espera para cirurgias eletivas do hospital já conta com mais de 5 mil pessoas.
–A ortopedia dentro do Hospital Universitário, que faz parte também das altas complexidades, hoje conta com aproximadamente 1788 pacientes na lista de espera. O Hospital Universitário tem hoje 5600 pacientes com todas as especialidades em lista de espera, ou seja, a ortopedia representa 32% desses pacientes.
Segundo Palma, a lista interna é encaminhada para a Secretária de Saúde do Estado via 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ª CRS). Ele ressalta que a gestão da lista cirúrgica é do Estado, e não é o hospital, havendo um crescimento nos número a cada dia.
O número de consultas também é destacado pelo superintendente do HUSM. De acordo com Palma, foram realizadas 5.949 consultas laboratoriais no passado. A média foi de 496 por mês. Já o Pronto-Socorro, registrou 983 atendimentos em 2021, com uma média de 82 atendimentos somente na área de traumatologia. Com relação aos exames, foram feitos 4.414 de ortopedia no ano passado, sendo 20% deste quantitativo tomografias. Os índices de cirurgia também são significativos:
–Em número de cirurgias, no ano passado, 1082 cirurgias, com uma média de 90 cirurgias por mês. A maioria das cirurgias são de trauma. Ou seja, as cirurgias consideradas eletivas de ortopedia dentro daquela lista de 1788, que inclui as doenças do ombro, cotovelo, coluna, joelho, braço, pé, tornozelo, de reconstruções ósseas, ficam em segundo plano em virtude da necessidade de fazer o trauma ortopédico, que é uma urgência, emergência médica – relata Palma.
DEMANDA
Sobre a possibilidade da redução da demanda, Palma critica a ausência de informações sobre os tipos de cirurgias a serem ofertadas no Regional:
-Ficamos contentes com a abertura do novo serviço no hospital Regional, mas avaliar o impacto que isso irá ter no nosso cotidiano do nosso hospital e na saúde da região ainda irá demorar um pouco para ter esses números. Em termos de lista de espera, nós não sabemos que tipo de cirurgia eles irão fazer em termos de ortopedia, por exemplo, de média complexidade nem em termos de traumatologia.
O superintendente do HUSM mantém a expectativa de que o novo serviço contemple a demanda existente nos 33 municípios da região, servindo futuramente de apoio em outros contextos.
–Eu espero que tenha um impacto especialmente no trauma de baixa complexidade, como é possível se fazer nos demais hospitais. E que nos ajude, de certa forma, abrir leitos, que possam até funcionar como leitos de retaguarda para segundo tempo de cirurgias de medias complexidades, onde no primeiro momento seja feito aqui e esse paciente possa ir até outro hospital fazer . E talvez, o Hospital Regional tenha uma porta para isso dai – diz.
Ao falar sobre o futuro, Palma destaca a função e vocação do Hospital Universitário de Santa Maria enquanto espaço de ensino, extensão, pesquisa e formação de novos recursos humanos, incluindo médicos, enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional, enfim, todas as profissões vinculadas ou não a saúde. Para o médico, este objetivo não pode ser descuidado:
–Então, essa é a vocação e a necessidade do hospital, porque em curto prazo o Hospital Universitário pode fazer suas atividades, mas a longo prazo, vai ter maior dificuldade de formar recursos humanos e isso vai refletir no futuro da saúde pública.
Arianne Lima, [email protected]